sábado, 24 de janeiro de 2015

Choque Cultural

 Choque cultural é a sensação de estranhamento aos valores, atitudes, ambiente, hábitos alimentares e a língua de um país diferente do nosso; aqueles "No Brasil não e assim" ou "Porque vocês não fazem igual ao Brasil".
 Quem pensa que o choque é menor por ser Estados Unidos; afinal você sabe TUDO sobre o país porque já assistiu "Mean Girls" e "High School Musical" e não tem problemas comendo Big Mac, está completamente enganado; assim como eu estava antes de vir para cá, viver em outro país é muito mais desafiador e a experiência é bem diferente do que imaginamos.
O choque cultural tem 4 "fases" e é preciso muita flexibilidade, mente aberta e disposição para passar por isso, se adaptar e aceitar essa nova cultura.
  Lembro o quão entusiasmado estava durante os meus primeiros dias aqui, como tudo parecia interessante e empolgante; parte porque realmente era e parte porque eu estava extremamente animado e curioso. Foi aquela euforia inicial, aquele sentimendo de algo pitoresco, me sentindo importante por ser "diferente", por estar fazendo o que estava fazendo. Os armários da escola, a cidade, ter um banheiro só para mim, fazer compras nas lojas americanas e trocar de salas de aula, era tudo novo e excitante.
Depois de um tempo tudo começa a ficar "comum", "banal" e "rotineiro" o entusiasmo se foi, o pensamento de "já conheci e vivi tudo que podia agora so quero ir pra casa" fica na sua mente e a irritação com os costumes "estúpidos" e "atitudes sem sentido"; como comer sem faca e usar a mão pra empurrar comida, a paixão por comida mexicana, os arrotos na mesa (ou em qualquer lugar ,sinceramente), caçar (porque se você pode comprar frango no mercado?) ficam evidentes e tudo que vem a sua mente é "O Brasil e muito melhor".
Existe uma coisa chamada "Mágica do segundo semestre", algo que muitos intercambistas falam, que é basicamente quando "tudo" no intercâmbio melhora, o começo da adaptação; quando na verdade quem "melhorou" foi você, e agora já compreende e aceita sua "nova vida" e começa a se abrir mais para o intercâmbio de um modo geral, a comida mexicana não soa mais tão ruim e arrotos começam a ser mais comuns.
A última fase é o biculturalismo, não tem uma cultura melhor ou pior, apenas diferentes e você já percebeu isso. Você começa a apreciar muito mais tudo, começa a se apaixonar pelas "esquisitisses" que a este ponto já são bem normais e se imaginar voltando para casa é díficil, porque você está em casa, na sua segunda casa.

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