domingo, 5 de julho de 2015

Teatro

Entre atuações casuais para meus fãs (minha irmã e minha antiga babá Aninha), monólogos em frente ao espelho e assistindo muito High School Musical sempre achei que seria uma estrela de teatro e foi durante meu intercâmbio que consegui realizar meu sonho de performar uma peça de verdade para mais de duas pessoas. Digo peça de verdade porque tenho algumas de autoria propria como "Bob: o coelho dorminhoco" que contava com um figurino impecavel (uma meia calça na cabeça).
Tudo começou quando anunciaram na rádio da escola que precisavam de alunos para ajudar na produção do espetáculo, e como cheguei três semanas atrasado e havia perdido as audições, achei que ao menos fazer parte por trás das cortinas seria divertido (e eu precisava de uma desculpa para abandonar o time de corrida, porque eu não nasci para correr 6,5km por dia). 
Com o passar dos ensaios um dos atores parou de aparecer e eu tive que tomar seu lugar durante os ensaios, pouco a pouco fui me acostumando com o personagem (Robert), os demais atores e o palco. Até que um dia minha diretora, Mrs Garcia, me diz que o menino que iria fazer Robert esta internado com um problema sério respiratório e não irá voltar para escola pelo resto do ano e que eu devo assumir o papel!!!!
Morri de medo? SIM! Mas aceitei! E como fico feliz que aceitei. Foi naquele palco onde conheci algumas das pessoas mais maravilhosas do mundo e achei um motivo para continuar no intercâmbio (fica dica, se fizer intercâmbio entre no teatro, é milagroso).
De ensaios com inúmeras risadas, prova de figurino, teste de maquiagem e muita ansiedade saiu uma das coisas que tenho mais orgulho de dizer que fiz parte: A Family Reunion to Die For (nome da peça). Nunca vou me esquecer de quando pisei no vestido de Anastasia e a fiz cair sobre os copos de água durante a peça (ela passa bem),  quando Diamond riu tão forte que cuspiu o suco nas minhas costas e dos meus gritos (Contextualizando para você leitor que não assistiu a peça: Rachel minha esposa some, eu to procurando a danada e gritando "Racheeeeel" de maneira comica imitando uma cantora de soul). A peça recebeu 5 de 5 estrelas pelo jornal da cidade, ouso até dizer que virei celebridade local.
Eu era um explorador de ruínas / historiador / fã de Keeping Up With The Kardashians por isso o chápeu.
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No primeiro dia da peça era aniversário da minha mãe e pedi para eles cantarem parabéns para ela, olha que fofos tentando falar em português!!!
Já no segundo semestre era pra fazermos um musical, inclusive ensaiamos e começamos a construir tudo porém muitas pessoas ficaram doentes e estavam com notas ruins e já que infelizmente eu não sou nenhuma Beyonce cantando para assumir o papel de todos, tivemos de cancelar o musical. Triste porque tinha aprendido todas as coreografias e estava animado para dançar tango (História engraçada: meu par para o tango, Kyla, também conhecida como uma das minhas best friends, tinha que ficar agaichada e eu passar minha perna por cima dela, resultado: Eu chutei a cara dela, coitada caiu apagada no chão e ainda levou bronca da diretora que achou que ela estava sendo preguiçosa hehe).
Vocês podem ver meu novo espetáculo as terças e quintas no Teatro Renault, mentira hehe, para finalizar queria dizer que existem pessoas incríveis a sua volta, você só precisa aproveitar cada oportunidade, vale muito apena (principalmente quando te aplaudem).
Ah e de presente eu ganhei um daqueles ursos personalizados!!! O nome dele é Eyebrows Lupton, ele tem cheiro de morango e 21 corações dentro dele, representando cada um que esteve no grupo de teatro, e ainda fala!
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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Tour Pelo Colégio

No post de hoje vou mostrar para vocês meu colégio aqui nos Estados Unidos, Fort Lupton High School! Então aperta o play e vem conhecer a casa dos Blue Devils!

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Esquiando pela Primeira Vez

Da saga "Eu Odeio a Neve": Matheus esquiando pela primeira vez! Claro neve é bonito de se ver e tirar uma ou duas fotos mas quando você tem que sair as 6 da manhã no escuro, -20°C e nevando lá fora, simpatizar com ela é meio díficil.
Há algumas semanas foi o encontro mensal dos intercambistas, fomos para Glenwood Springs, uma cidade nas montanhas aqui do Colorado, para esquiar! Fiquei extremamente animado, sem dúvidas, mas ao mesmo tempo estava gritando de medo. Já vou avisar para todo mundo que pensa que esquiar é fácil e dizem "poxa super fácil, só deslizar" NÃO É!!! Eu pensava a mesma coisa e acabei esquiando de verdade por uns 10 minutos, o resto do tempo eu estava jogado na neve (detalhe ficamos na estação de esqui por 6 horas).
O nome do resort era Sunlight Moutain, maravilhoso. Eles tem todo o equipamento necessário disponível para alugar e assim que chegamos preenchemos a papelada e fomos para a área de esqui.  
A coisa ficou díficil quando coloquei todo o equipamento e tentei sair do lugar, resultado: cai. Uma das instrutoras do lugar nos viu "esquiando" e perguntou se tinhamos esquiado alguma vez, falamos não e ela nos disse "Não vão, de jeito nenhum, nenhum, nas cadeirinhas se vocês não sabem esquiar", claro que teimamos e fomos, afinal não pagamos por tudo aquilo pra ficar parado.
Primeira coisa, a cadeirinha não para pra você sentar, ela chega em movimento e você tem que se preparar para subir. Eu e a Rafaela não conseguimos então os instrutores, que estavam super irritados com a nossa falta de habilidade, tiveram que parar a máquina e nos sentar na cadeirinha.
Fui chorando para Rafaela o caminho inteiro dizendo "Vou morrer, vou morrer" e enquanto isso ela estava tirando selfies. A cadeirinha não tinha cinto de segurança (o que já me apavorou), assim que estavamos chegando perto do ponto onde tinhamos que descer começamos a ver placas "Aponte seus skis para cima" "Fique reto" "Se prepare para descer" e adivinhem? Eles não param a cadeira para você descer não!!! Tem que pular!!! Já imaginaram o que aconteceu né? O cara teve que puxar a gente pra fora da cadeira e logo em seguida caimos na neve, e ao invés de nos ajudar ele só nos jogou para fora do caminho.
Tentamos deslizar uma, duas, três vezes mas nada além de cair, e o pior é que a bota é super apertada, não dá pra mexer o tornozelo, então toda vez que caíamos tinhamos que soltar as pranchas pra levantar. Desistimos e decidimos descer a montanha andando mesmo. Depois de uns 5 minutos andados a patrulha das montanhas nos abordou e perguntou se estávamos  machucados, falamos que não, só não conseguíamos esquiar. O cara foi super simpático (inclusive tinha um primo morando no Brasil, olha que mundo pequeno), chamou a central, trouxeram uma maca e descemos a montanha como se estivéssemos com uma contusão fatal!
Ao voltar para a estação vocês devem esperar que eu não voltasse lá em cima nunca mais né? Mas não, resolvi ir de novo, afinal sobrevivi uma vez a segunda não poderia ser pior. Mas foi. 
Consegui sentar na cadeira normalmente e desci dela profissionalmente, começei a descer a montanha super rápido, poderia facilmente me juntar ao time olímpico, até que me aproximei de umas árvores e fiquei apavorado achando que iria morrer, então me joguei no chão na tentativa de parar os skis. Não adiantou. Fui rodando, e rodando até atingir o tronco de uma árvore, por sorte as pranchas acertaram o tronco primeiro e não minha cabeça (valeu Deus). Porém minha perna estava coberta de neve e eu não conseguia achar as botas para soltar os skis e me levantar, começei a surtar!!! Os outros intercambistas passaram por mim e não conseguiram parar pra me ajudar, então tive que me virar sozinho. Parei de me mexer por um momento e me conformei que ia morrer ali mesmo. Depois de uns 5 minutos finalmente consegui me libertar. 
Tive que descer a montanha andando, não tive a cara de pau para pedir ajuda para a patrulha novamente, eles iam achar que eu era retardado (e eu não teria como discutir essa afirmação), então coloquei os skis no ombro e lá fui eu. No caminho as pessoas no bondinho ficaram gritando "Você deveria estar com eles nos pés cara", "Esses négocios são para deslizar" mas cheguei são e salvo.
Porém, não podia ir embora sem uma foto certo? 
BAM, cai 5 segundos depois que a foto foi tirada hahaha.
Conclusões, nunca esquiarei novamente, não que eu lá tenha esquiado desta vez, mas já tive o suficiente de neve para uns bons anos.

sábado, 21 de março de 2015

Contagem Regressiva


  Já se foram os dias em que eu usaria a mesma jaqueta de couro diariamente; aquela que trouxe de "casa", que usei como armadura, que me protegia de algo que eu tanto temia, mudanças. Deixei-a pra trás, cinco ou seis meses atrás, e decidi aceitar que as coisas só permanecem as mesmas em fotos e eu só canto bem no chuveiro.
  Quatro meses atrás pintei meu cabelo de azul e decidi experimentar macarrão. Descobri que fui muito estúpido em perder 17 anos da minha vida sem essa delícia, que a tinta do mercado não dura os 7 dias prometidos na caixa e que fico muito bem de azul.
  Participei da peça do colégio, plantei uma flor na aula de biologia, me tornei editor chefe do jornal da escola, vi a neve cair pela primeira vez e me acostumei ao silêncio. Com o passar desses outros 30 dias me apaixonei pela quietude, cansei do frio; que uma vez tanto idolatrei, percebi que mesmo sendo assustador, ter responsabilidades não é um bicho de sete cabeças, vi minha flor desabrochar, crescer e morrer (esqueci de regá-la, ops), me apaixonei pelos holofotes e aplausos, e o mais importante, fiz novos amigos.
 Já se foram os dias que ficava na cama, entre as cobertas, me escondendo, com medo de me apegar a novas pessoas, de viver a minha "nova vida". Finalmente, após dois meses, compreendi que amigos não são aqueles que estarão 24 horas, 7 dias da semana ao seu lado, mas sim aqueles que estarão ao seu lado, mesmo a milhas de distância, quando necessário. Conhecer novas pessoas é uma das coisas mais fantásticas do mundo; aos poucos, dia após dias, decifrá-las, descobrir qual sua música favorita, a dança mais estranha ou o momento mais vergonhoso que já passaram, dia após dia compartilhar um pouco de você e receber um pouco deles em retorno; e é para isso que viajamos; que vivemos, para nos dividirmos com os "estranhos" que cruzam nosso caminho; por alguns segundos, minutos, horas, dias, meses.
  Admito que sinto falta; de muita coisa aliás, do meu chuveiro, dos almoços de domingo, do céu sendo cortado por milhares de prédios e de assistir a novela das nove, mas a um mês atrás percebi; enquanto escrevia nas páginas do meu diário, que essa mesma caneta que uso para guardar as memórias que construo é aquela que risco os dias no meu calendário, aquele pendurado na parede do meu quarto, me lembrando todos os dias que o tempo está passando e que tenho apenas mais 3 meses; 3 meses para montar bonecos de neves, encontrar o melhor doughnut de chocolate do mundo, experimentar mais um ou dois pratos; só mais três meses para explorar, rir, tentar, errar, aprender, teimar e rir mais um pouco; só mais três meses até eu abraçar novamente minha família e meus amigos; infelizmente só mais três meses até eu abraçar meus amigos, mas um abraço de despedida e de dúvida, de quando nos veremos novamente; mais três meses para fazer valer apena. 

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Asas

  E é assim, inesperadamente, que andamos até a borda, olhamos para o infinito á nossa espera e, sem pensar muito, damos nosso primeiro rasante solo.
 Voar com as próprias asas não é fácil, as vezes falta equilíbrio, o vento está muito forte ou a tempestade muito violenta e duvidamos da nós mesmos.
Deixar o ninho é um processo tão demorado, mas ao mesmo tempo, tão rápido. Somos alimentados, protegidos, amados até nossas penas crescerem; por observação tentamos aprender uma coisa ou duas e de repente é a nossa hora; o momento tão esperado, hora de abrir as pequenas asas e pular; pular acreditando que estamos prontos para enfrentarmos o céu, que não precisamos de todo o conforto que estamos deixando para trás e que não precisamos de alguém para sustentar nossas asas; pulamos de mãos dadas com a incerteza; incerteza se voaremos ou atingiremos o chão, se iremos ser autosuficientes.
Com o tempo as asas vão ficando mais fortes e já não é tão difícil quanto antes desbravar a imensidão azul que, um dia, tanto lhe assustou; admito que "se não fossem as minhas malas cheias de memórias" deixar meu ninho teria sido mais fácil, "se não fossem minhas malas cheias de memórias" pesando mais do que minhas asas podem carregar, estar longe de casa não seria tão difícil. Mas dia após dia, explorando novos horizontes e me juntando a novos bandos vou dividindo um pouco desse peso; vou, aos poucos, deixando partes de mim em cada um que ao meu lado voa e aprendendo que a vida não é sobre procurar um lugar para chamar de "casa" e sim fazer dos nossos ossos a única estrutura que precisamos.